O debate foi dividido em quatro blocos e incluiu perguntas enviadas por defensores previamente. Os candidatos discutiram sobre temáticas relacionadas ao funcionamento do órgão e ao trabalho dos profissionais.
Perguntado sobre o teto remuneratório, o defensor público Adriano Leitinho afirmou que buscará conduzir essa questão a partir da articulação política.
“Não tem outra forma. É uma coisa inevitável, nós vamos ter que buscar quebrar esse teto se a gente quiser crescer e não tem outra forma a não ser através da articulação política […] Pretendo enfrentar essa questão com muita responsabilidade, muita articulação política, aumentando a participação nos espaços políticos no Ceará e em Brasília. Seja quem estiver na cadeira de defensor público-geral, não vai ter outra saída a não ser através desse estreitamento de laços políticos para tentar quebrar esse teto e aumentar o nosso orçamento”, avaliou.
Sobre a temática do trabalho remoto, a defensora Elizabeth Chagas avaliou que há situações em que o formato pode ser utilizado, mas pontuou que a implementação deverá ser construída a partir da escuta dos profissionais.
“Precisamos pensar em algumas circunstâncias em que não é possível. O defensor, por exemplo, em uma atividade cumulativa, vai, bate ponto e depois volta. Quatro horas para ir, quatro horas para voltar e a gente precisa tirar essa situação que não é real de fato. A gente precisa cuidar também dos defensores nas estradas. A gente precisa ter o cuidado de como a gente vai implementar. Há situações em que é possível colocar o remoto e situações em que não é possível. Então, a gente vai construir isso ouvindo todo mundo”, disse.
A saúde mental dos defensores públicos também foi ponto abordado no debate. Um mapeamento lançado pela Adpec no início deste mês apontou que 61% dos defensores públicos do Ceará relatam ter sofrido ameaças ou violência durante o exercício da função.
A atual defensora pública-geral, Sâmia Farias, destacou que o tema é uma preocupação constante do órgão e ofereceu detalhes sobre um projeto de acolhimento aos servidores.
“Muito em breve onde funciona o espaço do arquivo da Defensoria vai funcionar como o Espaço Aconchego. Vai ser uma receptiva psicossocial para o público interno, voltada para projetos, atividades e que as pessoas que necessitem tenham o acolhimento institucional. Realmente nessa visão de que a gente precisa integrar e dar maior estrutura de trabalho para os defensores”.
A eleição para a formação da lista tríplice ocorrerá no dia 3 de outubro. Ao todo, 366 defensores e defensoras públicas ativos poderão votar.
Após o pleito, os três nomes serão repassados ao governador Elmano de Freitas (PT), a quem cabe a escolha do novo defensor. Em seguida, o profissional escolhido será sabatinado na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece). A indicação pode ser aprovada ou não pelos deputados estaduais.