O início do ano costuma ser marcado por expectativas de recomeço, novos planos e resoluções pessoais. Um contexto que tem tudo a ver com a campanha Janeiro Branco, movimento dedicado à conscientização sobre a importância da saúde mental e emocional. Mais do que um tema individual, o cuidado com a mente está diretamente ligado ao exercício de direitos, à dignidade humana e ao acesso à justiça.
Para muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social, o sofrimento psíquico está associado a problemas concretos do cotidiano, como conflitos familiares, desemprego, endividamento, violência doméstica, insegurança habitacional e dificuldades de acesso a serviços públicos. Quando não enfrentadas de forma adequada, tais situações podem agravar quadros de ansiedade, depressão e estresse, impactando profundamente a qualidade de vida.
É nesse ponto que o trabalho das defensoras e dos defensores públicos se conecta diretamente ao propósito do Janeiro Branco. Quando se oferece orientação jurídica gratuita, acolhimento e escuta qualificada, o profissional contribui para reduzir angústias que muitas vezes acompanham quem se vê diante de um problema jurídico sem saber por onde começar. O atendimento humanizado, que considera a pessoa para além do processo, é parte essencial dessa atuação.
Além da atuação judicial, as Defensorias Públicas desenvolvem ações extrajudiciais, mutirões, mediações e atividades educativas que ajudam a prevenir conflitos e a promover soluções mais rápidas e menos desgastantes emocionalmente. Em áreas como família, infância, saúde, moradia e defesa do consumidor, o trabalho preventivo e conciliatório evita o agravamento de conflitos que podem comprometer a saúde mental dos envolvidos.
“Ao reconhecermos que o acesso à justiça também passa pelo bem-estar emocional, o Janeiro Branco reforça uma mensagem fundamental, a de que garantir direitos é também cuidar das pessoas. Promover justiça com sensibilidade, empatia e atenção às vulnerabilidades emocionais significa fortalecer a cidadania e ampliar o alcance do serviço público”, afirma a presidenta da ADPEC, Kelviane Barros.
A campanha, portanto, importa porque lembra que nenhuma política de acesso à justiça é completa se ignorar o impacto psicológico das desigualdades e dos conflitos sociais. Cuidar da saúde mental é condição para que cidadãs e cidadãos consigam compreender seus direitos, tomar decisões conscientes e participar plenamente da vida em sociedade, objetivos que estão no centro da missão das defensoras e dos defensores públicos.